Pelotas Pública


História de Antônio Ferreira Louzada
junho 15, 2010, 15:53
Filed under: Beleza Pelotense | Tags: , ,

 

 

Por Ieda Louzada de Magalhães

Vieram na época, em 1870, 2 embarcações de Portugal e aportaram em Rio Grande. Entre os vários imigrantes que vieram para fazer vida no Brasil, veio Antônio Ferreira, que se dirigiu para Pelotas com ideias fixas de instalar uma fábrica de sabão. Também, importava vinho e azeite e revendia. Estabelecido, voltou a Portugal e buscou Matilde Rosa, sua prometida, para casar. Neste tempo, surgiu uma outra pessoa com o mesmo nome Antônio Ferreira e, meu avô, para acabar com as confusões que surgiram em entregas de mercadorias, contas e pagamentos, em acordo com este outro Antônio, resolveu acrescentar “de Louzadas” ao seu nome – Louzadas era um lugarejo de sua origem em Portugal.

Com Matilde, teve 10 filhos (Antônio, Matilde, Pedro, João, Laura, Olímpio, Joaquim, Lourival, Albertina e Conceição). Seus negócios cresceram, com os rendimentos comprou muitos terrenos na zona da Luz. Ele foi chamado, na época, de “O dono da Luz”. Mais tarde, cedeu terrenos para a construção da Igreja da Luz, doando fundos também para a construção da mesma. Importou uma imagem de Nossa Senhora de Portugal e uma coroa de pedras preciosas para adornar esta imagem, doando-a para a Igreja. Após uns 20 anos esta coroa foi roubada e nunca foi encontrada, mas a nota ainda se encontra na família.

Com 60 anos, Antônio ficou viúvo, mantinha uma aparência jovial, com uma barba bem cuidada e andava sempre com o chapéu embaixo do braço. Nesta época, soube que uma prima de sua esposa havia ficado viúva em Portugal e teve a ideia de ir buscá-la para constituírem uma nova família. Chegando lá, se encantou por uma das filhas da viúva, Joaquina, que estava com 15 anos de idade e aceitou vir para o Brasil com ele como sua esposa. Chegando ao Brasil, assumiu os 10 filhos de seu marido, todos mais velhos do que ela. Foi muito carinhosa com todos, demonstrando amizade e cumplicidade com os enteados. Contam que em uma das primeiras refeições que fizeram todos juntos, um dos filhos disse que iria chamá-la de prima e o pai, acreditando ser isso um desrespeito, bateu severamente na mesa virando sopa de alguns pratos. Na geração seguinte, foi conhecida por “Vó Prima”.

Antônio, em uma de suas atividades, realizou um pomar no quintal de sua casa plantando morangos. Deste pomar, deixou uma lição que perpetua por seus descendentes. Quando o primeiro morango nasceu, ele dividiu em 14 pedaços, dando uma lasca para cada filho, mostrando igualdade e amor sem distinção. Era uma pessoa muito dinâmica, ativa, quando via os filhos parados, dizia: “Não têm o quê fazer? Desmanchem e casa e tornem a erguer!” Com Joaquina teve mais 4 filhos (Ondina, Maria, Lília e Waldemar). Eles eram muito católicos. Uma das filhas Albertina Louzada Lund (Beta) trabalhou pelos pobres de Santo Antônio mais de 30 anos, angariando e confeccionando produtos para doação. Com a passagem de Tia Beta para outro plano, por ser muito católica e dedicada aos feitos religiosos, foi velada na Catedral São Francisco de Paula. Um fato curioso é que seu gato atravessou a praça, pois esta morava na esquina da catedral, ficando embaixo de seu caixão durante toda cerimônia fúnebre. Sua obra continua até hoje pela dedicação de uma de suas filhas – Tereza Lund Ferreira.

Uma das netas de Antônio Ferreira Louzada, Clotilde, filha de Antônio, foi a Portugal procurar mais parentes – Louzada – ficou desiludida por não encontrar ninguém, mas indagando com pessoas que conheciam Antônio Ferreira, descobriu que Louzadas foi um nome adotado, como relato anterior, que perdeu o “s” com o passar dos anos e foi mantido como sobrenome de seus descendentes. Fato curioso: Antônio, pai de Clotilde, criou uma sobrinha por parte de sua esposa, chamada Maria, com o nome Motta acrescido pelo casamento, avó do atual prefeito Adolfo Fetter Jr. da cidade de Pelotas.

Em 28 de setembro de 1926, Antônio Ferreira Louzada faleceu. A família pediu para a Igreja da Luz  tocar os sinos, e teve seu pedido negado, deixando a todos uma profunda decepção. Antônio deixou muitos descendentes, profissionais conceituados, muitos dentistas, médicos, professores, advogados, psicólogos, administradores, agrônomos, artistas, escritores, poetas, músicos e até cientistas. O espírito religioso permanece no seio familiar, embora muitos em linha kardecista, mas continuando com testemunhos de fé, doação e amor.

Eu, Ieda Louzada de Magalhães, filha de Lourival, sou um dos descendentes mais próximos do vô Antônio presente na vida terrena, por isso, sinto-me à vontade em registrar estas lembranças que fortificaram minha existência e minha maneira de ser.

Essa história, relatada por minha avó, participou e foi uma das escolhidas na 2ª edição do concurso Cinco Histórias Portuguesas, promovido pelo Diário Popular.

Parabéns, vó!


20 Comentários so far
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Aí, mãe Ieda. Parabéns! Adoro saber como foi a vida dos meus antepassados. Agora conta a história do meu outro vô que era primo do Bento Gonçalves e do Viscone de Magalhães. bjs

Comentário por Liliane

Adoramos!!! Rafa continua postando q a diversão tá rolando! Parabéns!!! Bjs

Comentário por Cacá

Oi mãe, sinto-me orgulhosa por fazer parte desta família, que não tem só uma história bonita, tem muita gente bonita. Gente capaz, íntegra, inteligente. Gente de coração grande. Gente que se ama.
Eu te adoro
Adri

Comentário por Adriane da Fonseca

Adorei a história da vó, tens que fazer uma parceria com ela para participar do blog

Beijos

Comentário por Juliana

Dna. Ieda, boa noite q.Jesus a ilumine agora e sempre, por contar-nos tão linda história familiar. Sou bisneto de Dr.Domingos Ferreira Louzada nasc.em Angra-RJ,neto de Dr. Domingos Ferreira Louzada Jr.nascido em Niteroi, como o meu pai Dr.Luiz José de Souza Louzada,e eu nasci em SP.
Portanto somos, irmãos em Deus, e não por nome ou sangue. VIVA KARDEC, o grande Codificador, SAUDE, E PROSPERIDADE

Comentário por Luiz Antônio de Souza Louzada

Prima Ieda, fiquei feliz pelo teu relato sobre nossa família. Meu pai é o Waldemar da padaria sou o filho mais velho e estou morando atualmente em Torres RS. Um grande bj a tds vcs

Comentário por antonio ferreira louzada

Oi, fiquei muito emocionada por encontrar esta crônica familiar. Eu sou neta da Marina Ferreira Louzada, filha do Joao Louzada Ferreira. Há 20 dias estive em Pelotas tratando de encontrar dados para a árvore genealogica e agora me encontro com esta maravilha! Agradeco muito e gostaria de receber mais informacao sobre nossa familia e poder armar melhor a historia familiar. Um beijo a toda familia

Comentário por Mariza Domingues do Bomfim

Oi Mariza, sou filha da Leda, prima do João, teu pai, que tive o prazer de conhecer, a tia Leda, tua vó era madrinha da minha mãe. Gostaria muito de saber mais sobre a família Louzada e pelo que soube estás pesquisando, se for possível entra em contato comigo através do e-mail: grazacco@hotmail.com

Comentário por Maria da Graça de Azambuja Sacco

A Dona Ieda é simplesmente maravilhosa…Um Exemplo Vivo de Fé! Uma Professora Inesquecível…Ela rezava para Pitágoras e os Pais da Matemática me inspirarem e ajudarem nas provas…Muito Bom ver sua Imagem e recordar a História da família e de Pelotas…Do Rio de Janeiro meu abraço a todos e para ela um beijão com meu Carinho Eterno.

Comentário por EDUARDO MARANINCHI

Querida Dona Leda, prazer em conhecer a história da família, muito bem escrita nesta crônica. Sou Maria da Graça Lousada de Azambuja Sacco , filha de Leda Lousada de Azambuja, neta de Joao Ferrera Louzada Filho. Meu avô era filho de Joâo Ferreira Louzada, casada com Branca da Silva Louzada.
Joâo Ferreira Louzada Filho foi casado com Olga de Azambuja Louzada e tiveram seis filhos: Lélia, Léo, Lília, Leda, Lígia e Luís Miguel. Apenas minha mâe está viva, Leda, hoje com 81 anos e muito bem, graças a Deus. Gostaria de saber mais sobre a família. Agradecida. Um abraço
Maria da Graça

Comentário por Maria da Graça de Azambuja Sacco

Querida Leda
Querida Maria da Graça
Meu nome é Marina Domingues do Bomfim , filha de Clelia Domingues do Bomfim e Paulo Alves do Bomfim e somos 4 irmas : Yara , Nara , eu Marina e Mariza. Todas casadas e com filhos e netos, sendo que eu casei com paraguaio e moro em Asuncion, a mais de 40 anos. A Mariza casou com argentino e mora em Buenos Aires a mais de 30 anos.
Nossa avó materna , Marina Louzada Domingues casada com Ascanio Domingues Filho se estabeleceu no Paraná e faleceu em 1996 em Curitiba aonde moram 6 de suas filhas que estao vivas: Irene, Clelia minha Mae,Eneide, Jurema, Ivone e Zoé.
Os pais de minha avó Marina eram Joao Ferreira Louzada e Branca de Araujo e Silva; seus avós Antonio Ferreira Louzada e Mathilde Rosa Louzada ; José de Araujo e Silva e Angelina Francisca da Silva.
Da parte do meu avô Ascanio Domingues Filho temos completa a árvore genealógica , mas da parte da minha avó Marina muito pouco. Agradeceria se pudessem enviar-nos algumas informaçoes , o que tiver , tanto dos Ferreira Louzada , como dos Araujo e Silva.
Tambem estou a disposiçao para qualquer informaçao que lhes for util.
Quero parabeniza-la Leda pela reportagem e pedir tambem , a parte da familia que falta escrever , assim como pediu um seu neto.
Por favor entre em contacto comigo no email :
salinas bomfim 68@gmail.com
Um abraço
Marina Bomfim de Salinas

Comentário por Marina Bomfim de Salinas

sou maria hilaria louzada soares filha de luiz miguel louzada, ja falecido filho de joão louzada e olga azanbuja louzada,um grande beijo espero enformações

Comentário por MARIA HILARIA LOUZADA SOARES

QUERIA CONHECER MAIS MENBROS,ADOREI ESTA HISTORIA!!!

Comentário por MARIA HILARIA LOUZADA SOARES

Bem, o que posso contribuir. Sou Mário Pierre, moro no Rio de Janeiro e nasci no ES (Castelo), filho de mãe capixaba – NOBRE LOUZADA PIERRE. Lá e em parte de Minas têm outros Louzadas…

Comentário por Mario Lucio Pierre

Meu e-mail volneibarretosantos@bol.com.br, tive um grande amigo com sobre nome Louzada que jogou futebol profissional no ARMOUR FC. de Santana do Livramento em 1978, perdi o contato com ele e gostaria de saber se voçes conheçem ele? é um grande amigo meu.

Comentário por Volnei Barreto Dos Santos

O meu sobrenome também é louzada, e segundo o meu pai eles tambem vieram de Portugal, fazer a sua vida aqui! Mais acho muito dificil sermos da mesma família, kkkkkkkkkk… mais mesmo assim é uma grande coincidência! Beatriz Mafra Louzada

Comentário por Beatriz

Ola. li sua istoria, e gostaria de saber se algum de seus antepassados mudou-se para Castelo
no ES.eu sou Louzada por parte de meu avo materno.

Comentário por Jessilda

Amei a historia sobre os louzadas, eu tbm sou Louzada Magalhães porem não tenho muita informações sobre minha familia!! A única coisa que sei é que meu biso Eduardo venho do rio de janeiro na época que teve o surto de febre amarela, e lá ele deixou dois filhos, já que sua primeira esposa havia falecido por causa do surto que teve!! Já no interior de SP casou-se novamente com minha bisa, e teve mais 5 filhos sendo Eles Benedita, Lourdes, Maria Aparecida, Eduardo e Antônia..

Comentário por Barbara

Olá, eu me chamo Beatriz, e tambem tenho o sobrenome Louzada, quando menor, meu pai sempre me contava histórias sobre três irmãos vindos de Portugal para o Brasil, cada um ficou em um local do Brasil, um dos três homens, veio até as proximidades do municipio de Igaporã- BA. E aqui fez a nossa família.

Comentário por Beatriz Louzada

eu sou neto da ondina que casou com pedro broll sobrinho teve 5 filhos pedro tereza irene carlos alberto e rui sou filho de carlos alberto apelido beto .

Comentário por jose vicente amaral broll




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